Chaise-Longue

Abril 22 2016

Teve lugar em 21 de Abril de 2016 a assembleia geral anual do BCP, com dez pontos na ordem de trabalhos, dos quais dois eram de relevante interesse e extravasavam das matérias habitualmente elencadas .

O primeiro deles - ponto oito da ordem de trabalhos - tinha em vista tomar posição sobre a supressão do direito de preferência dos accionistas em aumento ou aumentos de capital a deliberar, por uma ou mais vezes, pelo Conselho de Administração durante o prazo máximo de três anos .

A matéria mereceu forte oposição de vários dos pequenos accionistas presentes na assembleia geral .

A este propósito referi, intervindo nos trabalhos, que :

* depois de ouvir as referências encomiásticas feitas pelo Presidente do CA e pelo Presidente da CE aos accionistas do Banco tinha ficado baralhado ;

* não pela efectivação dessas referências, que tinha por inteiramente justas, mas pela proposta que consistia numa clara capitis deminutio dos accionistas ;

* accionistas que estão sempre do lado do Banco, em especial nos momentos difíceis ;

*  desses momentos difíceis recordei particularmente dois :

          . quando o BCP, na altura da discussão do modelo de gestão se parecia com o CDS-PP do confronto Paulo Portas ( e seus acólitos )/ Ribeiro e Castro e os accionistas recebiam cartas patéticas enquanto viam o Banco a esboroar-se ;

          . quando do aparecimento dos "homens de mão" do Senhor Pinto de Sousa, com uma perda brutal de credibilidade e de rendibilidade da instituição ;

* mesmo assim os accionistas acompanharam sempre os aumentos de capital do Banco, pensando muito mais no interesse da organização do que na rendibilidade ( mais do que duvidosa ) do capital investido ;

* depois de todos esses louváveis comportamentos dos accionistas o CA discrimina-os, em favor de um investidor ( ou de uma investidora, pois o tema do género tem uma enorme actualidade ... ) e, não contente com isso, coloca-lhe ainda uma "cereja" em cima do bolo, concedendo-lhe um desconto de 10% ;

* os accionistas, repeti, não mereciam este tratamento .

Outras vozes críticas se ouviram também, mas contra a força não houve resistência possível e os accionistas com posições qualificadas e os membros dos órgãos sociais levaram a deles avante .

Fico curioso à espera dos próximos episódios .

Por mim não tenho grandes dúvidas quanto aos desenvolvimentos e deixei na matéria um curto lamiré no decurso da minha intervenção ...

A segunda matéria de relevante interesse  - ponto dez da ordem de trabalhos - consistia em deliberar sobre proposta do CA de reagrupar, sem redução do capital social, as accões representativas do capital social do Banco, correspondendo a cada 193 accões anteriores ao reagrupamento 1 accão posterior ao mesmo .

As vozes críticas de pequenos accionistas foram também inúmeras .

Por minha parte - e ao extrair da longa exposição de motivos feita por um membro do CA que nem uma palavra tinha surgido a justificar o rácio 193:1 - limitei-me a perguntar qual a razão para o mesmo, a não ser que o CA quisesse "imitar" a Comissão Europeia, que também não apresenta qualquer motivo válido e consistente para ter fixado em 3% o limite a partir do qual os países entram em défice excessivo ...

O CA pediu então a interrupção dos trabalhos durante dez minutos .

Retomada a AG o CA reformulou a sua proposta, alterando o rácio para 75:1, o que veio a ser aprovado por larga maioria .

Ainda bem que, apesar do adiantado da hora, ocorreu um momento de lúcida ponderação .

Esta meia vitória dos pequenos accionistas, numa assembleia que foi a mais crítica e controversa de todas aquelas em que tenho participado, fez avultar a imperiosa necessidade de tais accionistas se organizarem em antecipação às  assembleias gerais para que nelas possam fazer bastante mais do que mera "figura de corpo presente" .

Algumas iniciativas se encontram já em curso tendo em vista alcançar esse desiderato, se bem que se saiba que vai ser extremamente difícil, em especial pelo sentimento de "deixa andar" dominante em Portugal e pelos pesados formalismos que terão de ser cumpridos .

publicado por Loscar Elmano às 22:16

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