Chaise-Longue

Março 23 2017

O Ministro holandês das Finanças e Presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, apontando os desequilíbrios macroeconómicos verificados em vários países da UE, disse textualmente o seguinte :

" ...Como social-democrata considero a solidariedade da maior importância . Porém, quem a exige também tem obrigações . Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda . Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu . "

De imediato surgiram as deturpações, como se Dijsselbloem tivesse dito apenas uma frase :

" Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda . "

Em imediata sequência à deturpação surgiram em Portugal as "virgens ofendidas", encabeçadas pelo "chefe da geringonça" que perorou :

 Portugal cumpriu os compromissos com a UE pelo que o país "não tem lições a receber do sr. Dijsselbloem em coisa nenhuma" .

O que sucede, porém, é que Portugal está muito longe de ter cumprido todos os compromissos que assumiu perante a UE .

Se os tivesse cumprido não estaria confrontado com a ameaça do BCE, de acordo com a qual caso o Programa Nacional de Reformas não contenha as políticas requeridas " o procedimento por défice excessivo deve ser aberto em Maio " .

É que as recomendações que o BCE tem feito a partir de 2015 não foram, na sua grande maioria, implementadas .

E isso, segundo o BCE, é partiularmente surpreendente depois de as autoridades portuguesas se terem comprometido com "uma agenda reformista ambiciosa" em 2016 .

Com efeito, a esmagadora maioria das recomendações de reforma propostas - mais de 90% - tiveram apenas algum ou limitado progresso de implementação , apenas 2 em cerca de 90 foram implementadas de forma substancial e nenhuma o foi na totalidade .

É este cenário que leva o BCE a defender que, se Bruxelas vier a entender que Portugal não fez o suficiente, deverá impor a apresentação de um plano de acção para responder aos desequilíbrios macroeconómicos - elevado endividamento ; grande volume de crédito em incumprimento ; desemprego ainda alto - e que , se não for apresentado ou implementado, seja aplicada a sanção financeira prevista nas ferramentas  do Procedimento por Desequilíbrios Macroeconómicos - 0,1% do PIB ou seja, no caso de Portugal, cerca de 190 milhões de euros .

O que diz a isto o dr. António Costa ?

 

P.S.

As "virgens ofendidas" movimentam-se freneticamente "exigindo" a demissão de Dijsselbloem de Presidente do Eurogrupo .

A verdade é que sabem perfeitamente ser natural que isso venha a acontecer, em consequência dos resultados das eleições realizadas na Holanda no dia 15 do corrente .

É que nelas ( a Holanda, com mais de 14 milhões de habitantes, elege 150 deputados; Portugal, com 10 milhões, elege 230 deputados ; vejam lá se não há razões para se dizer que em Portugal há dinheiro mal gasto ! )os trabalhistas holandeses, o partido do sr. Dijsselbloem, teve uma derrota estrondosa, passando de 38 para 9 deputados .

É assim provável que os trabalhistas não venham a fazer parte da futura coligação, o que deverá colocar o sr. Dijsselbloem no limbo .

publicado por Loscar Elmano às 21:33

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