O regresso do senhor Pinto de Sousa - como o "com a verdade me enganas" se converteu no "com a mentira não me enganas tu"
O reaparecimento do senhor Pinto de Sousa, rotulado pelo hilariante Alberto da Ponte como
serviço público, apresentou os ingredientes que eram previsíveis : dissimulações, verdades
por metade e falsidades absolutas .
Tudo com a roupagem habitual de sobranceria, altivez e incapacidade para reconhecer os
próprios erros, perante uns entrevistadores mal preparados, atentos, veneradores e obrigados .
A dissimulação começou logo com a sonegação do Mercedes topo de gama, mantido longe da
ribalta, surgindo o senhor Pinto de Sousa numa viatura de classe média, segundo consta
adequadamente alugada para a encenação .
Depois, durante a entrevista ( que o não foi, antes um monólogo laudatório ), o senhor Pinto
de Sousa proferiu falsidades com descontração absoluta, como quando declarou que, durante
três anos, os funcionários públicos não tinham sido aumentados ( procurando, desse modo,
alinhar uma justificação pífia para a enorme actualização salarial efectuada em ano de eleições,
embora já fosse evidente a crise financeira ) .
Falsidades entremeadas com meias verdades quando, por exemplo, escondeu despesas que
não liquidou, transferindo-as para o futuro e "entregando-as" no regaço de quem lhe sucedeu .
São apenas exemplos, pois muitos mais houve .
Apesar de tudo isto o inefável Soares, esquecendo que há anos atrás tinha dito que Sócrates
era o pior do guterrismo, veio louvar a performance do senhor Pinto de Sousa .
Mas nem tudo foi negativo : o senhor Pinto de Sousa, com a encenação do seu espectáculo,
conseguiu converter o "com a verdade me enganas" no "com a mentira não me enganas tu" .
Ao menos valha-nos isso !
