A política prtuguesa é um autêntico folclore
É visível, desde que em 1974 foi posto fim ao regime autoritário, a impossibilidade de encontrar
entre os partidos políticos portugueses consensos amplos em defesa do interesse nacional .
Aliás, já há alguns meses e neste mesmo blogue, anotei ironicamente que o Guinness World
Records tinha escolhido uma frase portuguesa como a maior mentira alguma vez proclamada -
a frase de TODOS os partidos políticos que declaram à exaustão :
" Colocamos sempre o interesse nacional acima do interesse partidário " .
Enorme aldrabice !
A criação de amplas coligações governamentais é uma utopia em Portugal ao contrário do que
sucede noutros países ( talvez exactamente por isso - embora não apenas - muito mais
progressivos e com muito melhor nível de vida do que o nosso ) .
É o que se passa, por exemplo, com o Reino da Bélgica - coligação de seis partidos, sendo três
fancófonos ( democratas-cristãos, liberais e socialistas ) e outros tantos flamengos, de idênticas
ideologias -, com o Reino da Dinamarca - coligação do Partido Social Democrata, da Esquerda
Radical e do Partido Popular Socialista - e com o Reino da Suécia - coligação do Partido Moderado,
do Partido Popular Liberal, do Partido do Centro e do Partido Democrata-Cristão .
É neste contexto de posições extremadas em Portugal que Rui Tavares, independente eleito
para o Parlamento Europeu em 2009 na lista do BE, mas actualmente desavindo dessa organização
política, surge com uma iniciativa para a criação do Partido Livre, com o objectivo de conseguir obter
a convergência da esquerda .
Ou seja : é um dissidente que vem arvorar-se em convergente !
Tentativa tão risível quanto incongruente .
