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Chaise-Longue

Site de poesia, pensamentos, análise política e social, polémica, pontos de vista, interrogações e inquietações . Aparece de quando em vez, sem obrigações calendarizadas .

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A greve dos motoristas de matérias perigosas - Ninguém fica bem na fotografia

Na greve dos motoristas de matérias perigosas todos os intervenientes apresentam um desempenho insatisfatório :

* o "pardalão" sindical, ávido de protagonismo, queima etapas, visando antecipar negociações que podiam decorrer até ao final do presente ano civil . E vai deitando mais achas para a fogueira, fazendo com que cada vez se torne mais difícil apagar o fogo ;

* a ANTRAM põe condições para regressar às negociações : o levantamento da greve e o afastamento do principal negociador sindical . Estaria receptiva se a associação sindical em causa contrapusesse o afastamento do negociador e porta-voz da ANTRAM ? Por outro lado desvaloriza comportamentos ilegais de empresas do sector, como se o facto de serem muitas, poucas ou apenas uma retirasse ao comportamento a natureza negativa ;

* o Governo - que estudou atempada e profundamente o assunto - conta com trunfos relevantes no ataque ao problema :

** BE e PCP, dado que membros, ainda que menores, da geringonça, surgem anestesiados e incapazes de reagir aos exageros na resposta que têm surgido por parte do Governo ;

** a oposição ( PSD e CDS ) mantém-se inexistente, como vem sendo habitual ;

** o conúbio Governo/ANTRAM, consubstanciado num negociador patronal e porta-voz da associação empresarial que é, segundo referido, militante do PS tem desiquilibrado os poderes em jogo . Aliás, o Governo e o negociador e porta-voz da ANTRAM, ao falar, fazem lembrar o som e o eco ... ;

** o recurso pelo Governo à PGR visando a obtenção de um parecer que lhe ampliasse os meios de intervenção atingiu em pleno os objectivos . Daí uma intervenção musculada e mesmo prematura, quase esvaziadora do direito à greve ;

** a actividade de condução por membros da GNR e da PSP tem ultrapassado em muito o número de horas de trabalho normal ;

** num pais que o Primeiro-Ministro diz estar descrispado recorrer três vezes em apenas sete meses ao mecanismo ( de carácter excepcional ) da requisição civil é obra !

Ainda se está longe dos desmandos da 1ª República , que chegou mesmo ao extremo de assassinar quem fizesse greve, como sucedeu em Setúbal, mas é um comportamento que não augura nada de bom para o futuro .

O PS, se calhar, acha que com manifestações de força determinada pode ganhar votos . Mas tal relação causa/efeito está longe de ser linear .

 

Neste momento é difícel prever como este conflito irá terminar . Mas temo que ainda venha a ocorrer um agravamento da situação :

* os trabalhadores, de forma legítima, recusam trabalhar para além do horário normal ;

* o Governo, continuando na sua postura musculada e confiando que contará com o respaldo da PGR, irá possivelmente punir os trabalhadores que recusem prolongar o tempo de trabalho .

E, daqui a meia dúzia de anos, é de admitir que o assunto ainda ande a ser apreciado nos tribunais .

Estão todos a ficar mal na fotografia !

 

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