As "marcelices" do Presidente da República
Na fase de "rescaldo" dos deploráveis comportamentos de inúmeros "responsáveis" no ataque às chamas assassinas que devastaram Pedrógão Grande e na defesa das populações ameaçadas, o Presidente da República veio declarar do seu privilegiado púlpito :
"É tempo de, sem limites nem medos, se apurar o que, estrutural ou conjunturalmente, possa ter causado ou influenciado quer o sucedido quer a resposta dada ."
Significará tal frase que o PR entende justificar-se a abertura de um inquérito, extenso e profundo, ao acontecido ?
À primeira vista pode parecer que sim .
Mas, se recordarmos anteriores afirmações categóricas do mesmo titular, a dúvida instala-se .
Basta pensar qual poderia ser a primeira iniciativa de um instrutor nomeado .
E se este, recordando posições inequívocas tomadas por Marcelo Rebelo de Sousa no teatro de operações
( "o que se fez foi o máximo que se poderia ter feito" ; "não há nem falta de competência, nem de capacidade, nem de imediata resposta" )
e tendo em conta a autoridade do Supremo Magistrado da Nação, decidisse o arquivamento puro e simples do processo de inquérito ?
Não, não acreditamos que isso viesse ou que isso venha a acontecer .
Temos como mais provável que o processo de inquérito - a ser instaurado, como é desejável e imperioso até - olvide essas posições tomadas no teatro de operações, considerando-as, como muitos portugueses já o fizeram, "marcelices" do Presidente da República .
