O narcisismo de Marcelo Rebelo de Sousa
A visita de três dias a Espanha do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa lembrou-me, em alguns aspectos, a "viagem de Estado ..." efectuada há anos pelo Presidente da República Mário Soares às Seychelles .
Por uma semelhança mas também por uma diferença significativa .
A semelhança radica no facto de, quer uma quer a outra, terem sido apenas viagens de lazer, sem contéudo negocial .
Nas Seychelles Mário Soares não negociou quaisquer acordos, comerciais ou políticos, com a tartaruga, mas ficou-se por aí .
Já Marcelo Rebelo de Sousa mostrou mais uma vez o seu narcisismo :
* conferência de imprensa no Palácio do Pardo logo à chegada ; recepção no Palácio Real ; almoço no Palácio da Zarzuela ; jantar de gala no Palácio Real ; recebimento da chave de ouro da cidade de Madrid ; visita a Salamanca .
Mas não ficou por aí .
É certo que não aflorou, nem de perto nem de longe, alguns dos importantes problemas pendentes entre Portugal e Espanha, nomeadamente os transvazes dos rios ibéricos e a perigosa energia nuclear próxima das nossas fronteiras, para o que teria sido lógico ser acompanhado de responsáveis por tais sectores .
Mas aproveitou bem - até exageradamente - a oportunidade para se promover, assumindo sempre o protagonismo, mesmo quando esse pertencia, de forma natural e óbvia, ao Rei de Espanha .
É o seu narcisismo extremo, o desejo de ser sempre o que mais sobressai, nem que para isso tenha de relegar para segundo plano outros protagonistas principais, e o desevolvimento dos preliminares da campanha para a reeleição, matéria na qual as suas declarações de ser muito cedo para pensar nisso não convencem quem o conhece bem e recorda a longa preparação ( duas dezenas de anos ou mesmo mais ) para conquistar o Palácio de Belém .
